ConsultoriaA Jornada do ESG: Rumo à Sustentabilidade Empresarial

Neste mundo em constante transformação, onde a preocupação com o meio ambiente e a responsabilidade social estão em pauta, o ESG emerge como um conceito poderoso que vem revolucionando a forma como as empresas conduzem seus negócios. ESG, sigla para Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança), representa um conjunto de critérios que guiam as organizações em direção à sustentabilidade e à responsabilidade corporativa.

Mas o que exatamente é ESG e qual a sua relevância no mundo atual? Conversamos com Davi Barroso Alberto, CEO da Mercoline, e Otávio Augusto Ribeiro Neri, Bacharel em Gestão Ambiental e Técnico de Meio Ambiente na mesma empresa, para esclarecer essas questões.

O ESG teve sua origem no mercado financeiro, através dos Princípios para o Investimento Responsável da ONU. Esse conceito busca demonstrar a interação entre investimentos e questões ambientais, sociais e de governança. Com o crescente movimento global de combate às mudanças climáticas e a Agenda 2030 com seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o ESG ganhou ainda mais notoriedade no mundo corporativo como uma ferramenta estratégica que possibilita às organizações incorporar as externalidades de suas atividades.

De fato, a incorporação de práticas ESG pode trazer diversos benefícios para os negócios. Além de atrair investidores que buscam empresas comprometidas com a sustentabilidade, a empresa demonstra sua responsabilidade social e ambiental, fortalecendo sua reputação e imagem.

No entanto, é importante destacar que a falta de comprometimento real com o ESG pode levar a práticas de “greenwashing”, onde empresas se apropriam de conceitos sustentáveis de forma superficial para se promoverem. Isso pode levar a consequências legais e reputacionais negativas.

De acordo com Davi Alberto, “o ESG oferece uma visão holística do impacto das empresas no mundo, indo além dos aspectos financeiros tradicionais. Ele se baseia em princípios éticos e sustentáveis, que são fundamentais para a construção de uma sociedade mais equitativa e um planeta mais saudável”.

Uma das questões mais discutidas é se o ESG se aplica apenas a empresas de grande porte. Segundo Otávio Neri, a implantação do ESG é viável para organizações de todos os tamanhos, já que toda atividade gera externalidades. Independentemente do porte econômico, o ESG pode ser implementado, e o compliance (cumprimento das legislações e regulamentos) é um alicerce importante para adoção de estratégias alinhadas a esse conceito.

Para compreender melhor os pontos levados em conta em relação ao ESG, é necessário analisar seus três escopos principais: Ambiental, Social e de Governança Corporativa.

O escopo Ambiental está relacionado ao gerenciamento de recursos naturais aplicados ao processo de cada organização e seus impactos sobre o meio ambiente. Isso envolve desde a mitigação e adaptação às mudanças climáticas até a gestão de resíduos, controle de emissões atmosféricas e conservação da biodiversidade.

Já o escopo Social busca analisar a interação entre a organização e seus diversos relacionamentos públicos. Aqui, estão incluídos temas como investimento social, direitos humanos, diversidade e inclusão, saúde e segurança ocupacional, entre outros.

Por fim, o escopo de Governança Corporativa identifica as relações das organizações com suas partes interessadas, como stakeholders. Neste âmbito, são observados critérios de compliance, prevenção de práticas irregulares, gestão de riscos, auditorias, transparência e prestação de contas.

Davi Barroso Alberto ressalta a importância da implantação do ESG em uma organização: “O processo envolve etapas como conhecer o conceito, possuir intenção estratégica, diagnosticar a maturidade da empresa, planejar a implantação, implementar as práticas, medir e monitorar os resultados e, por fim, relatar e comunicar as informações de forma transparente. Dessa forma, a organização consegue agregar valor ao seu negócio, além de contribuir para a construção de um mundo mais sustentável”.

Para exemplificar a implementação prática do ESG, é importante apresentar alguns exemplos de critérios e suas respectivas práticas ambientais, sociais e de governança:

 

Ambiental:

  • – Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas: Estabelecer sistemática para mensurar e reportar níveis de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE).
  • – Eficiência Energética: Aproveitamento do calor de exaustão de geradores de energia.
  • – Gestão de Resíduos: Implementar processos para segregação de resíduos na fonte.
  • – Uso da Água: Implantar projetos de aproveitamento de água da chuva.
  • – Emissão Atmosférica: Utilizar equipamentos de controle de emissões de veículos da frota.

Social:

  • – Combate ao Trabalho Forçado: Implementar políticas e estratégias em toda organização e cadeia de valor.
  • – Combate ao Trabalho Infantil: Estabelecer políticas claras de combate ao trabalho infantil.
  • – Diversidade e Equidade: Treinar equipes de comunicação institucional acerca do tema diversidade, equidade e inclusão.
  • – Saúde e Segurança Ocupacional: Observar a hierarquia de proteção disposta pelas Normas Regulamentadoras.
  • – Relacionamento com Clientes: Manter canais de comunicação disponíveis e divulgados, que garantam atendimento de qualidade.

Governança

  • – Auditorias Internas e Externas: Assegurar independência, objetividade e qualificação do auditor responsável pela auditoria interna.
  • – Ambiente Regulatório: Inventário de regulamentações aplicáveis vigentes, classificados por órgão emissor, tema etc.
  • – Gestão de Segurança da Informação: Promover atualizações periódicas de pacotes de segurança, softwares e sistemas operacionais.
  • – Privacidade de Dados: Executar processos de coleta e controle de consentimentos.
  • – Prestação de Contas: Promover treinamento em responsabilização que abranja periodicamente todas as áreas da organização.

A implantação do ESG é uma jornada desafiadora, mas recompensadora para as empresas. Além de demonstrar um compromisso genuíno com questões socioambientais, a adoção de práticas ESG pode trazer vantagens competitivas e de reputação, fatores cruciais no cenário atual de negócios. Empresas que investem em uma gestão sustentável e responsável tendem a atrair mais investidores e parceiros, estabelecendo uma relação de confiança com os stakeholders.

“Ao alinhar suas estratégias ao ESG, as empresas se preparam melhor para os desafios do futuro, mitigando riscos e maximizando oportunidades de negócio”, enfatiza Otávio Neri. A preocupação com a sustentabilidade e a responsabilidade social não é apenas uma tendência passageira, mas uma necessidade cada vez mais premente no mundo dos negócios.

No entanto, é importante lembrar que a incorporação do ESG não é um processo isolado. Deve ser uma filosofia incorporada à cultura organizacional, envolvendo todos os colaboradores em um compromisso conjunto com a sustentabilidade e o impacto positivo na sociedade.

“O ESG é um caminho que não tem volta. É uma questão de sobrevivência e responsabilidade. É necessário agir hoje para construir um futuro mais justo e sustentável para todos”, argumenta Davi Barroso.

Com o ESG ganhando cada vez mais destaque, as empresas têm a oportunidade de se tornarem agentes de mudança positiva na sociedade, contribuindo para um mundo melhor e mais equilibrado. A jornada rumo à sustentabilidade empresarial está apenas começando, e é dever de cada organização abraçar essa causa, tornando-se parte ativa da construção de um futuro mais promissor para todos.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published. Required fields are marked *