Desde a adesão em massa ao ChatGPT no final do ano passado, o que não faltou foram especulações e projeções sobre como essa ferramenta que usa como base inteligência artificial poderia ser empregada no uso particular e também nas empresas. Em um primeiro momento, o misto de surpresa e curiosidade eram maiores do que o receio do que poderia vir a seguir em relação ao uso “errado” da IA.

É fato que, na história da humanidade, e com os avanços tecnológicos recentes, é natural que soluções cheguem para suprir novas demandas e necessidades sociais. Mas o GPT foi além, com enorme capacidade de aprendizado através da captura de dados e informações humanas, começou a produzir conteúdos em série e de uma forma que se revelou pouco confiável e assertiva, na maioria das vezes. Textos com informações falsas, imagens fake, livros sendo escritos em quatro dias sem preservação dos direitos autorais, interações entre máquina e humanos, tudo isso fez parte do pacote da experimentação no primeiro trimestre do ano de 2023. O ponto atual é: como vamos lidar com tudo isso de forma saudável e responsável?

Essa parece ter sido a pergunta que os grandes investidores e especialistas andam se fazendo munda afora. O bilionário Elon Musk e mais de mil pesquisadores, especialistas e executivos do setor de tecnologia, publicaram na última semana uma carta aberta pedindo uma moratória de seis meses nas pesquisas sobre novas ferramentas de inteligência artificial (IA), como o popular ChatGPT.

Essa pausa revela uma preocupação pertinente, afinal, eles avaliaram que os novos sistemas chegaram a um ponto de desenvolvimento no qual a humanidade pode perder o controle sobre eles, trazendo riscos de desinformação e ameaçando a democracia e a civilização.

Perceba a gravidade dessa constatação. Aqui não estamos falando de uma superprodução cinematográfica que com frequência abordam o fim do mundo e que geralmente atrela a esse episódio uma rebelião das máquinas que vencem os humanos. Estamos falando de um momento real, histórico, que está acontecendo agora e diz respeito a todos nós e o futuro próximo da humanidade.

No mundo dos negócios, o uso incorreto de informações falsas e/ou erradas podem causar estragos perigosos e até mesmo irreversíveis. Sempre batemos na tecla de que informações corretas dão fundamento as decisões corretas. Automatizar processos e até mesmo análises nesse caso podem comprometer a gestão dos negócios. As métricas que são geradas via ferramentas e IA precisam fornecer dados que revelam a real situação de uma companhia, do contrário, os resultados e a própria gestão ficam extremamente frágeis e imprecisos. E não é preciso dizer que, a médio e longo prazo, podem levar a uma crise ou até mesmo falência. Ainda neste sentido, a Governança Corporativa nunca foi tão necessária. Gestão, análise correta de dados e propósito claro nunca fizeram tanto sentido no mercado contemporâneo.

Por isso, de fato, refletir sobre os impactos do uso de inteligências como o GPT é dever de casa dos empresários. A tecnologia por si só, é um indicativo de avanço, de evolução. Aqui não cabe discutir os pontos negativos e positivos, mas a questão continua sendo a forma como os seres humanos utilizam essas inovações.

O medo para muitos com a digitalização e automação de processos e serviços é perder o emprego para uma máquina, um robô. É fato que, se você for um bom profissional, atento a evolução do mercado e suas exigências contemporâneas, esse medo não se justifica. Na verdade, bons profissionais e empresas utilizam ferramentas e a inovação em prol do aperfeiçoamento das suas carreiras/negócios.

Se bem empregada, a tecnologia devolve tempo as pessoas porque resolve problemas e realiza tarefas que podem ser substituídas sem nenhum prejuízo. Logo, o que não pode ser substituído é justamente o poder de refletir, analisar, interpretar e da consciência, características que ainda são exclusivamente humanas. Pense nisso.

Benito Pedro Vieira Santos – CEO da Avante Assessoria Empresarial (empresa associada ao Grupo Alliance) – Especialista em Governança Corporativa e Reestruturação Empresarial.

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