Riscos Tributários

Recolhendo os cacos para construir uma empresa ainda mais forte

Após passar o pico da crise as empresas começam a retomar a uma nova realidade. Muitas delas tiveram suas finanças abaladas, muitas ainda não resistirão, outras estão buscando os caminhos. Assim, mais do que nunca é hora de os empresários buscarem conhecimentos para uma reestruturação de negócios para esse momento.

“Principalmente em momentos assim – de crise, é sabido que empresa, empresário e sua equipe, tendem a formar uma figura só, sobretudo Pequenas e Médias Empresas. Estão todos ‘no mesmo barco’ e precisam agir e pensar um nova forma de se estruturar”, afirma o sócio da Avante Consultoria Empresarial, Benito Pedro.

Mas como fazer essa estruturação? Para ajudar na busca pela sobrevivência dos seus negócios no curto e médio prazo, Benito Pedro elencou alguns pontos que podem contribuir:

Dentro da empresa, o que pode ser feito agora: revisar e trabalhar custos/despesas (redução se possível), processos, pessoas, relacionamento e cultura. Quais são os três maiores custos e despesas da sua empresa hoje? Depois que tiver encontrado a resposta, reflita, existe alguma ação ou opção para torná-los mais acessíveis? Se não for possível reduzir, tente renegociar ou postergar. Pode ser que nesse movimento, com esforço direcionado, você ganhe 1 ou 2 meses de sobrevivência (que serão cruciais para o atual cenário).

Fora da empresa, o que é preciso fazer: buscar manter as atuais fontes de receita, bem como, explorar novas fontes e novos canais de comunicação. Dependendo do seu produto/serviço, crie estratégias e aborde novos possíveis clientes. Se as portas estiverem literalmente fechadas, envolva sua equipe na busca por novas ideias e elabore novas estratégias. Este pode ser um bom momento para você testar a relevância das redes sociais e/ou criação de grupos e listas para contatar via WhatsApp, por exemplo. O que não pode é ficar parado esperando tudo passar, movimente-se, reinvente a forma de vender se preciso for.

Desenvolva ações e não ansiedade: um dos principais problemas gerados por uma crise é o foco exagerado que tendemos a dar no que nos desafia e nos preocupa, até aí normal. Mas passar dias pensando sobre um determinado ponto sem encontrar soluções costuma causar ainda mais ansiedade e nervosismo, o que deixa tudo ainda mais acentuado. Então, neste sentido é quebrar esta lógica, não torne o problema seu único e principal foco. Ao agir assim, você automaticamente fecha os olhos para tudo que está acontecendo a sua volta, principalmente as oportunidades. Além disso, lembre-se que em períodos de crise é importante contar com a rede de apoio (familiares, amigos ou mesmo colegas de trabalho) que podem ajudar a passar pelos problemas e até encontrar soluções que você não conseguiu sozinho.

Não mude os planos principais, adie: perceba que a capacidade de se planejar e de pensar no futuro é algo importante na crise, pois permite trazer uma relativa normalidade ao momento. Na prática, isso quer dizer que manter os planos que haviam sido feitos ou refazê-los, considerando as limitações do momento, é essencial para se organizar. Desse modo, é possível ter uma direção a seguir, mesmo que seja necessário rever as rotas.

Quando recuperação judicial é necessária

Em meio a toda essa crise e pandemia, é possível notar ainda uma inversão nos conflitos entre credores e devedores, já que os últimos são os que possivelmente recorrerão à justiça mediante ao pedido de Recuperação Judicial, ao contrário do que normalmente acontece.

“Recentemente abordei a questão do direito aos devedores de rever contratos e de alegar caso fortuito ou força maior como um motivo para o não cumprimento da obrigação, todavia, pode ser que mesmo utilizando desta prerrogativa, os números atuais da empresa não comportem uma continuidade sem a suspensão de todos os compromissos assumidos até o momento”, explica o sócio da Avante.

A Recuperação Judicial no dia a dia da empresa, em poucas palavras, seria de imediato a suspensão de todo o passivo, vencidos e vincendos e na sequência, respeitando os prazos previstos na lei 11.101/2005, a elaboração do plano de recuperação da empresa que será avaliado e votado pelos credores em Assembleia.

De um modo geral, o processo é bem intenso e demorado, a empresa precisa estar e permanecer com as métricas em dia, fluxo de caixa, demonstrativo de resultado, balanços, balancetes, enfim, organização é a palavra “chave” para que o processo de recuperação tenha êxito.

Lembre-se: não adianta conseguir prazo para honrar seus compromissos se a empresa continua operando com ineficiência, pois a recuperação judicial é a chance do empresário de “arrumar a casa”, caso contrário, estará apenas adiando sua falência.

“Este é um momento ímpar para todos, onde a união e o bom senso devem prevalecer. Se todos os envolvidos souberem negociar e se colocar no lugar do outro, passaremos por tudo isso de uma forma um pouco mais leve, dentro do possível. A capacidade de se reinventar atrelada a empatia nunca estiveram tão em alta no mundo todo”, informa Benito Pedro.

O que fazer primeiro para se reestruturar?

Neste cenário de incertezas e inúmeras especulações, a orientação básica é a seguinte: por mais difícil que seja, “continue respirando”, ou seja, mantenha seu negócio ativo, elenque suas prioridades com base antes de tudo na própria sobrevivência da empresa.

Praticamente todos os compromissos não honrados durante a pandemia foram objetivados a subsistência da operação, enfrentando este momento difícil de poucas receitas e enormes despesas.

E lidar com tudo isso definitivamente não é fácil. Mas uma coisa é certa e não vai mudar, mesmo quando o “novo normal” se estabilizar, as empresas de sucesso têm em comum o fato de tomarem as decisões corretas e buscarem sempre honrar seus compromissos firmados, mesmo que renegociados para médio / longo prazo. O segredo para isso é estar com as métricas atualizadas de sua empresa, temos como base um tripé que é essencial para as tomadas de decisões: 

  • Fluxo de caixa – manter o fluxo de caixa atualizado é algo imprescindível para as tomadas de decisões a curto/médio prazo, por isso orientamos a manutenção mínima de informações de 12 meses;
  • R.E. (Demonstrativo de Resultados) – a maioria dos empresários desconhecem o ponto de equilíbrio de sua empresa, fator essencial para corrigir os erros de gestão e direcionar a equipe no caminho do lucro;

3)  Orçamento – após manter as métricas mencionadas acima, é muito importante criar a cultura na empresa de orçar o próximo exercício, inicialmente pode-se ter como base o D.R.E. dos exercícios anteriores.  

Os resultados da empresa devem ser compartilhados com a média gestão, já que não há como exigir da equipe uma meta se estão trabalhando no escuro. Quando os profissionais entendem o atual cenário econômico e financeiro da empresa, o desafio é compartilhado e fica muito mais fácil conseguir alcançar os objetivos traçados.

O que não fazer?

“O grande problema é que muitos gestores optam pela inércia, abandonando o planejamento. O certo é encarar a crise como a chance de dar um salto de qualidade, aproveitando o momento difícil para se consolidar no mercado. É claro que isso não é fácil, mas a crise oferece a chance de fazer com que a criatividade se torne um dos principais diferenciais”, informa Benito Pedro.

E para que a criatividade possa sobressair, é fundamental que a empresa tenha ótimos controles como visto acima. Por quê? É simples, para que tudo esteja adequado à nova realidade, além de oferecer aos seus administradores números confiáveis que mostrarão o momento certo de voltar a investir e implementar outras estratégias de acordo com a evolução do mercado e recuperação mundial, mas sem deixar de fazer o dever de casa e olhar primeiro para dentro – “organizar a casa” começa por aí.

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