Preparado Caixa

Preparando o caixa para 2020

Na maioria das vezes a situação se repete: enquanto o empregado está ansioso para receber os ganhos extras, descansos e usufruir das demais situações pertinentes ao final ou início de um novo ano, o empregador, por outro lado, está angustiado tentando uma linha de crédito com instituições financeiras para honrar todos os compromissos.

Segundo uma análise da Avante Assessoria Empresarial, muitas empresas enfrentam esse problema, entretanto existem distinções por setores. Em linhas gerais, o comércio tem um final de ano mais movimentado, seu faturamento aumenta e os compromissos desse período são honrados. Em contrapartida, o início do ano tende a ser tenebroso, os compromissos mensais continuam e o faturamento despenca.

No caso da indústria e serviços, a tendência é que ocorra o oposto, o final de ano costuma ser complicado, o faturamento diminui consideravelmente e os compromissos aumentam, por outro lado, no início do ano, mais precisamente após o Carnaval, o mercado tende a se normalizar.    

Como sobreviver?

Os gastos do período são muitos, destacando décimo terceiro salário, participação nos lucros e resultados (P.L.R.), férias coletivas, cestas natalinas, confraternização, brindes para os principais clientes, dentre outros. Diante dessa realidade, para uma empresa atravessar este período da melhor maneira possível é preciso se preparar, ou seja, se planejar para evitar que o caixa entre em colapso no período sazonal de cada negócio.

“Um importante detalhe é que o resultado da empresa deve ser analisado periodicamente e rigorosamente de forma mensal e, em uma análise posterior, deve-se elaborar uma estratégia para que a operação permaneça ou se torne lucrativa, fazendo com que parte deste caixa gerado seja reservado para honrar os compromissos durante a sazonalidade. Em situações mais complexas, sugerimos a elaboração de um ‘budget’, que nada mais é que um orçamento empresarial, que norteia as estratégias”, explica o principal executivo da Avante Assessoria, Benito Pedro.   

Ele pontua também que o período ideal para o orçamento é antes de entrar no quatro trimestre do ano, pois ao final de cada ano o ‘budget’ do ano seguinte deve estar pronto. O mais difícil é criar essa cultura, mas o importante é iniciar esse processo, já que, posteriormente, as ações relacionadas tornam-se automáticas e fazendo com que os gestores e média gerência tenham uma visão analítica de toda operação da empresa, permitindo inclusive comparativos entre orçamento versus realizado, bem como revisão das estratégias de gerenciamento de fluxo de caixa.

Controladoria é a uma solução

Questionado sobre dicas preciosas para uma empresa que precisa preparar o caixa, Benito não hesita em responder: “Controladoria, eis o segredo de uma empresa organizada. Esse processo dinâmico fará toda diferença nas tomadas de decisões”. Essa área (controladoria) é basicamente a inteligência que analisa e interpreta as informações contábeis e gerenciais de uma empresa, tendo como objetivo medir adequadamente para sustentar medidas de redução das perdas e maximizar os lucros.

“É uma área estratégica nas grandes corporações (principalmente multinacionais), mas as pequenas e médias empresas não dão a adequada relevância para esse trabalho, sem perceber a existência de uma necessidade estratégica de implementar uma área de controladoria para quem pretende crescer. A tomada de decisão dos empresários depende dos seus resultados e indicadores. Informações corretas são sinônimos de decisões corretas”, afirma categoricamente o diretor executivo da Avante.

Ele aponta que a área tem diversos papéis, dentre os quais se destacam a implantação do plano de contas e apropriações corretas dos números, visando análise minuciosa e confiáveis de todas as despesas e receitas do negócio. A partir desse trabalho, há a entrega do Demonstrativo de Resultados (D.R.E.) tendo como base os relatórios analíticos de receitas e despesas/custos.

O erro do crédito e necessidade de fluxo

Um dos erros mais comuns das empresas em relação às finanças de fim e início de ano é deixar a preocupação para última hora. Quando se depara com o tamanho do problema, a solução basicamente é aguardar as instituições financeiras abrirem linhas de crédito para empresas que não se organizaram para honrarem os seus compromissos.

Nesse ato se inicia um perigoso caminho para o endividamento das empresas, que se não for tratado adequadamente pode levar até mesmo à falência. Todo cuidado é pouco nessa hora e buscar alternativas como a redução de despesas e custos pode ser o caminho mais indicado para arcar com esses gastos. Nesse ponto é que normalmente se identifica a deficiência em ter os dados corretos e confiáveis para análise e tomada de decisões estratégicas possíveis, caso a empresa tenha um D.R.E. Gerencial e um Fluxo de Caixa confiável.

Outro ponto é estabelecer um fluxo de caixa. Essa é uma importante ferramenta de controle, análise, avaliação da segurança financeira do negócio e de poupança de recursos, fornecendo assim ao empreendedor uma estimativa das necessidades futuras de recursos e/ou como e quando será aplicado o excedente de caixa.

Quando não ocorre essa gestão eficaz, o resultado é uma situação insustentável, caracterizada pelo frequente financiamento das necessidades de recursos oriundos de empréstimos bancários. A prática de “rolar” as dívidas por períodos prolongados exige que o empreendedor siga o calvário diário de mendigar aos gerentes dos bancos credores onerosas renegociações dos débitos.

Também ocorrem situações ainda piores, nas quais empreendedores recorrem a modalidades de financiamento pouco aconselháveis, como o uso de recursos pessoais obtidos com o cheque especial ou cartões de créditos, que geram elevadas despesas financeiras até se depararem com uma situação precária.

Portanto, o principal objetivo da gestão do fluxo de caixa é oferecer ao empreendedor dados para a tomada de decisões financeiras, estimando as faltas ou o excesso de dinheiro, relacionado com:

  • As atividades de compra, transformação de insumos e venda de produtos/mercadorias e/ou serviços, funções básicas de qualquer de negócio;
    • Os investimentos em ativos fixos e capital de giro;
    • O aporte de recursos realizados pelos proprietários bem como a sua remuneração;
    • As aquisições ou amortizações de empréstimos bancários;
    • O pagamento de tributos (impostos, contribuições e taxas);
    • A formação de uma poupança.

Com isso, o empreendedor deverá identificar as fontes de recursos para cobrir as faltas ou aplicar os excedentes de caixa nas opções de investimentos de maior retorno e menor risco, sempre preservando a capacidade de pagamento pontual dos compromissos assumidos.

Consequentemente, os riscos de endividamento desenfreado se tornam muito menores e se ganha fôlego para que se possa investir no crescimento do negócio e abrir novas frentes.

Por fim, lembre-se que deixar o fluxo de caixa para segundo plano é uma falha que impede o planejamento e crescimento sustentável, podendo até mesmo levar à falência.

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