O papel das empresas no processo de educação financeira

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Aprender e levar para o cotidiano os ensinamentos de educação financeira tornou-se artigo de primeira necessidade.

Em um passado recente, segundo o administrador e educador de finanças pessoais André Massaro, o Brasil vivenciou um boom consumista e, com isso, adquirimos o hábito de comprar antes e somente depois checar se é possível pagar sem comprometer as demais despesas. “Passamos décadas sem muito crédito para consumo e, quando começamos a ter disponível, não soubemos lidar bem com a oferta. O consumidor brasileiro se revelou imaturo, deslumbrado e sem saber o que está pagando de taxas de juros e, por isso, acaba em apuros financeiros”, comenta Massaro.

A falta de planejamento se evidencia em um levantamento recente do Serviço de Proteção ao Crédito e do portal Meu Bolso Feliz: mais da metade dos brasileiros (52%) assumiu ter feito pelo menos uma compra por impulso nos últimos três meses, motivada por anúncios de descontos e promoções em shoppings centers e lojas virtuais.

Diante desse cenário, as empresas devem ter um papel ativo de conscientizar seus colaboradores com noções de gestão das finanças pessoais. “As empresas têm um papel social de difusão da educação financeira para seus empregados. Com uma boa gestão dos seus recursos financeiros, as pessoas consomem melhor”, afirma Fernanda Della Rosa, assessora da Fecomercio SP.

De acordo com o presidente da DSOP Educação Financeira, Reinaldo Domingos, existe uma relação direta entre saúde do bolso, produtividade e motivação. “Muitas companhias concedem um grande número de benefícios e auxílios aos funcionários, buscando melhorar o ambiente de trabalho e, por consequência, a produtividade. No entanto, esquecem-se de um fator fundamental para o equilíbrio psicológico de seus profissionais: a saúde financeira. Inegavelmente, ela é essencial para o bem-estar das famílias e, naturalmente, é um aspecto importante na produtividade das empresas”, explica Domingos. Na sequência, são apresentadas algumas dicas, fornecidas pelo DSOP, para a implantação de um programa de educação financeira nas empresas:

1. Não se limite a palestras ou cursos de investimentos;

2. Educação Financeira é uma responsabilidade social, devendo, assim, beneficiar funcionários, familiares e comunidade;

3. Adote critérios e oriente o funcionário antes de disponibilizar crédito consignado;

4. Crie campanhas de conscientização e de mudança de hábitos e costumes em relação à utilização do dinheiro;

5. A educação financeira independe do salário do colaborador; os problemas podem ocorrer até mesmo nos maiores salários da empresa;

6. Oriente os funcionários a combater a causa do problema e não apenas os efeitos.

Fonte: Revista Administrador Profissional / Ano 37 / nº 336

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