O pai rico pode virar o pai pobre!

Recentemente estava revendo as literaturas relacionadas às finanças pessoais e me deparei com um grande escritor que em seus escritos havia uma informação com a qual não posso compactuar e por isso acredito que seja pertinente me posicionar. Estou falando do grande autor de finanças pessoais Robert Kiyosaki, autor dentre outros do best-seller Pai Rico, Pai Pobre, e a informação a que me refiro é o cálculo da Taxa de Riqueza, criada por ele.

O entendimento desta taxa é bastante simples e os motivos pelo qual não compactuo com elas também são. Assim, primeiro explicarei como funciona o cálculo sugerido por Kiyosaki, para ele, a fórmula para Taxa de Riqueza é: Taxa de riqueza = (renda passiva + renda de portfólio)/(despesas totais).

Onde Renda de Portfólio é a renda gerada pelo seu dinheiro que está aplicado em investimentos: poupança, fundos de investimento, ações etc; e Renda Passiva são as outras formas de renda geradas sem a necessidade de se trabalhar, como renda de aluguéis.

E se o resultado for maior ou igual a um a pessoa poderá escolher trabalhar com o que quiser e o tempo que quiser, pois o pagamento das despesas do mês já estarão garantidas só pela renda passiva. O dinheiro gerado da renda ativa seria utilizado apenas para “luxos” e ambições pessoais.

Com certeza a intenção do autor é a melhor possível e ele já auxiliou muitas pessoas, entretanto, o ponto fundamental que foi deixado de lado e que pode complicar a vida das pessoas que seguem esta fórmula, é que existe a questão da inflação que, por mais que não seja mais feroz como no passado, ainda faz com que se tenha acréscimo no custo de vida, para se ter ideia, a inflação acumulada nos últimos dez anos, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 76,61%.

Assim, será que se alguém que aplicou esta rendo por esse período estaria hoje independente financeiramente? Na grande maioria dos casos não. Na verdade o resultado da Taxa de Riqueza deveria ser maior ou igual a dois para que tivesse validade. Mas, para facilitar a vida dos brasileiros criei a fórmula DSOP de Independência Financeira. Nela, primeiro se deve encontrar o número que se deve atingir e o primeiro passo será definir a data desejada tornar independente e esta estabilidade não significa que se irá parar de trabalhar, mas sim trabalhar apenas por prazer.

Neste caso deverá guardar mensalmente um valor que proporcionará um ganho mensal do dobro do seu atual padrão de vida, podendo sacar apenas 50% deste juros mensalmente e guardando o restante como reserva acumulada. Simples? Pode ser no papel, mas na pratica as pessoas tem que ter muito claro este objetivo e se preocupar com outras questões dentre as quais os investimentos devem estar em uma aplicação que nunca tenham rentabilidade de menos de 0,5% ao mês.

Quero deixar bem claro que a ideia não é criticar o grande trabalho desenvolvido com muito afinco e qualidade pelo renomado Robert Kiyosaki, mas sim mostrar que pelo menos para a realidade brasileira os números apresentados não condizem com a realidade, sendo necessário um cuidado muito grande para que se realmente se tenha a tão sonhada independência financeira, trabalhando apenas por prazer.

Reinaldo Domingos, educador financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira e da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), autor dos livros Terapia Financeira, Eu mereço ter dinheiro, Livre-se das Dívidas, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, das coleções infantis O Menino do Dinheiro e O Menino e o Dinheiro, além da coleção didática de educação financeira para o Ensino Básico, adotada em diversas escolas do país.