Norte e Centro-Oeste têm mais caloteiros, mostra pesquisa

As regiões com a maior parte da população com as dívidas em atraso são as Norte (31,1%) e Centro-Oeste (26,4%). Na ponta oposta, está o Sul (22,4%).

“No acumulado deste ano tivemos indicadores negativos que levaram ao aumento no número de inadimplentes: a economia esteve em recessão técnica [com o PIB recuando nos dois primeiros trimestres, mas voltando a subir levemente no terceiro], a geração de emprego começou a perder força, a inflação se manteve alta – o que corrói o poder de compra –, a taxa de juros subiu e impactou diretamente os devedores. Ou seja, isso tudo afeta o bolso do consumidor que não consegue honrar seus compromissos”, explica Julio Leandro, superintendente da Serasa Consumidor.

A explicação de Leandro para o pior índice ser registrado no Norte se deve pelo fato de a renda per capita na região ser a menor no País. “Esse é um dado constante, assim como o fato de a região Sul ter os menores índices de inadimplência e a região, em contrapartida, tem bons números de renda.”

O Sudeste é o terceiro na lista, com 24,5%, seguido pelo Nordeste (23,6%). Leandro afirma que no interior do Nordeste o índice é baixo de inadimplência, pois grande parte dessa população ainda não possui acesso ao crédito, o que resulta em poucos endividados em relação ao tamanho da população.

“Nesse cenário, identificamos a necessidade crescente de educar financeiramente os brasileiros e, principalmente, os jovens.”

As capitais com as maiores taxas de inadimplência são Manaus (AM), com 38,1%, seguida por Porto Velho (RO), com 37,2%, e Macapá (AP), com 36,4%. Segundo a Serasa, Manaus e outras capitais das regiões Norte e Nordeste tendem a ter inadimplência mais alta pois possuem renda per capita menor que a de capitais do Centro-Sul.

O destaque positivo, com menos inadimplentes, fica com as cidades de Florianópolis (SC), com 22,3%, seguida por São Paulo, com 23,9%, e em terceiro lugar, Campo Grande (MS), com 24,4%.

Jovens tem maior índice de inadimplência, mas aprendem

A pesquisa da Serasa também avaliou a inadimplência por faixa etária. Os jovens de 26 até 30 anos têm altos índices de inadimplência, com taxa de 29,9% para o grupo. “Isso demonstra que é preciso elevar o nível de educação financeira nas escolas, da faixa que está sendo incluída no mercado de trabalho e obtendo renda.”

A inadimplência diminui, aponta o estudo, à medida que a idade aumenta: acima de 70 anos, a taxa é de 10,3%. Na faixa etária entre 36 e 40 anos, 28,2% são inadimplentes, seguido pelo grupo entre 18 e 25 anos (28,1%).

Uma avaliação positiva, afirma Leandro, é que a experiência de endividamento dos jovens os faz aprender. “As taxas de inadimplemento começam a cair entre o grupo de 31 a 35 anos (29,3%), justamente o grupo que sai da maior experiência de endividamento. Eles aprendem após ficarem com o nome sujo.”

O Mapa da Inadimplência no Brasil foi realizado levando em consideração as informações disponibilizadas pelas empresas concedentes de crédito à Serasa Experian, com base nos municípios com população superior a 1.000 habitantes. Para a consideração de inadimplência, foram avaliadas dívidas atrasadas há mais de 90 dias e com valores acima de R$ 200.

De olho no 13º, SCPC Boa Vista faz feirão para limpar nome

Muitos especialistas em finanças pessoais dizem que o 13º não deve ser a salvação dos inadimplentes para limpar o nome, mas a realidade é outra: muita gente usa esse recurso para ajustar o orçamento doméstico no fim do ano. Pensando nesse momento, a SCPC Boa Vista realiza neste mês feirões para negociação do pagamento de dívidas.

Em um mutirão presencial realizado em Itaquera, de 2 a 6 de dezembro, foram realizadas cerca de 63 mil famílias foram beneficiadas pela Campanha Acertando suas Contas.

A maior parte dos consumidores que visitaram o mutirão tinham débitos com pelo menos uma empresa participante, e por isso foram encaminhadas para negociação. Assim, 32.700 renegociações foram promovidas durante os 5 dias do evento em Itaquera. Essa alta relação é sinal de amadurecimento do consumidor.

Segundo Fernando Cosenza, diretor de Sustentabilidade da Boa Vista SCPC, os consumidores podem consultar seu CPF para checar se estão com nome sujo pela internet. “Sentimos a cada ano o consumidor melhor preparado antes de ir aos mutirões. Desse modo, as filas nesta edição da campanha foram menores e o tempo de espera para a negociação foi mais curto.”

Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), acredita que o 13º salário seja útil para realizar sonhos. Mas para conseguir utilizar o recurso com essa finalidade, ele alerta que as pessoas precisam se planejar financeiramente o ano todo.

“O primeiro passo para isso é gastar menos do que se ganha. Senão, a conta nunca fecha e o salário extra fica para apagar incêndio e dívidas. Contar com o dinheiro extra para balancear as contas do começo do ano é aconselhável, pois já indicam um grau de planejamento.”

Fonte: http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=2&cid=219859

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