Falta de educação financeira é problema maior do que dívidas

Um tema bastante polêmico que acho fundamental abordarmos são as constantes pesquisas que apontam o grau de endividamento da população, sendo que o que se pode observar na realidade é que os números são muito maiores que os apresentados.

Quero deixar bem claro que não quero questionar as metodologias utilizadas pelos institutos que realizam essas pesquisas – muito pelo contrário – é fundamental enaltecer a seriedade e competência desses trabalhos, todavia, nesse termo existe um erro de conceito em relação ao que significa estar endividado.

A questão é que as pesquisas consideram como endividados, na maioria dos casos, apenas fatos relacionados a tomada de crédito no sistema bancários. Na minha visão o percentual de endividados chega atinge patamares muito acima. É simples, se pensar que a grande maioria possui cartão de crédito que utiliza para pagamento de seus compromissos no dia a dia, ou mesmo se esses fazem pagamentos com cheques pré-datados, boletos bancários e carnês, esses estão com dívidas.

Vou mais longe, mesmo quem não participa do sistema bancário – como ocorre com boa parcela da população – também possuem alguma forma de endividamento, como é caso de empréstimos feitos com amigos, parentes e até mesmo agiotas ou contas em bares e armazéns, que são pagas mensalmente quando do recebimento do salário.

Contudo, a quebra de paradigma mais importante nisso tudo que estou colocando é que posso afirmar que estar endividado não é um problema, o grande problema está na ausência de educação financeira, visto que estes endividamentos acabam sendo muito superior aos ganhos mensais por parte de nossa população, o que chamamos de viver num padrão de vida acima do permitido.

Assim, fazer empréstimos, parcelar compras ou mesmo marcar uma cervejinha no bar, faz parte do sistema capitalista em que vivemos, sendo que são ferramentas que possibilitam o consumo. O problema é que a grande maioria da população não está preparada – com educação financeira – e ao ser exposta às questões relacionadas a essa questão se perdem e passam para um estágio que daí sim é um problema, a inadimplência.

Explico, dívidas englobam os consumidores que estão inadimplentes, mas abrange um número muito maior de pessoas; nesse grupo, também estão as pessoas que compram um produto e parcelam, quem financiam carro ou casa, distribuem cheques pré-datados, pagam a parcela mínima do cartão, pegam dinheiro emprestado e tem que pagar parcelas desse empréstimo, dentre outros. Em resumo, essas são as pessoas que já se comprometeram com um valor a ser pago, caso contrário, a pessoa se tornará inadimplente.

Para os consumidores inadimplentes, a situação é muito arriscada, podendo refletir em diversos pontos do seu cotidiano, como relação familiar e profissional. Assim, é necessário fazer uma ação de guerra, repensando toda a vida financeira para não agravar cada vez mais a situação.

O inadimplente tem que tomar a ação mais difícil, que é negociar os valores com os credores. É importante ter em mente que as pessoas querem receber esse valor. Tendo isso em mente, é a hora de buscar um consenso. Nunca esquecendo que o valor definido terá que caber dentro do orçamento mensal.

Reinaldo Domingos, educador financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira e da Abefin (Associação Brasileira dos Educadores Financeiros), autor do best seller Terapia Financeira e dos lançamentos Papo Empreendedor e Sabedoria Financeira.

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