Empreendedorismo e metodologia de educação financeira – qual a relação?

Hoje, eu quero falar sobre um tema diferente dos que geralmente abordo, mas que possui grande importância para o mercado livreiro, que é o empreendedorismo. O que me animou a falar sobre o tema é que lancei a minha obra, intitulada Papo Empreendedor, em coautoria com o mestre e amigo Irani Cavagnoli. 

Nele, expomos as experiências que foram vividas e acumuladas em mais de cinquenta anos de trabalho como professores e empresários. Assim, sobre empreendedorismo, posso afirmar que três qualidades que observo que o aspirante a empreendedor deve possuir para obter sucesso em qualquer empreendimento são: talento, competência e experiência.

Sendo talento o poder natural de fazer ou agir física, mental, legal, moral e financeiramente para desenvolver e executar um novo negócio ou projeto. Já competência, é estar disposto a adquirir conhecimentos, habilidades e atitudes empreendedoras, que podem ser ensinadas, e representam os objetivos do livro. Por fim, a experiência, que é um ponto a ser desenvolvido a partir do momento em que se decide idealizar, desenvolver e implementar um novo negócio ou projeto.

A experiência pode ser adquirida com a prática dos ensinamentos ministrados nesta obra. Com ela, você terá a oportunidade de transformar o sonho empreendedor em algo concreto e de valor para a sociedade, tanto em termos econômicos como sociais.

Outro ponto relevante para o futuro empreendedor é a possibilidade de utilizar a Metodologia DSOP de Educação Financeira – Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar – para abordar o tema, sendo que, dentro dessa, podemos estruturar da seguinte forma.

Diagnosticar significa que o empreendedor que busca o sucesso em um novo negócio ou projeto deve, em primeiro lugar, fazer o “reconhecimento do terreno em que pretende pisar”. O candidato a empreendedor precisa pesquisar o campo de oportunidades que pretende explorar e apurar informações relevantes que vão permitir a escolha do novo negócio ou projeto.

Sonhar se refere ao fato de que as oportunidades para empreender são muitas e o empreendedor necessita escolher aquela que melhor se ajusta ao seu sonho. É nesse ponto que um novo negócio ou projeto é idealizado: esse é o momento da geração da ideia básica de como explorar uma oportunidade que represente, o mais próximo possível, o sonho.

Já orçar, significa perguntar: quanto vai custar a realização do sonho de um novo negócio ou projeto? Para responder a essa questão, o empreendedor precisa realizar um planejamento que vai ajudá-lo a desenvolver o novo negócio ou projeto idealizado.

Chamamos de plano de negócio o resultado desse planejamento, que deve especificar “o que”, “como”, “quando” e a “que custo” será implementada a oportunidade escolhida pelo potencial empreendedor.

Por fim, se tem o pilar poupar, que significa que não basta ter um plano de negócio. É preciso transformá-lo em algo concreto, para que o sonho se realize. É necessário, portanto, reunir os recursos financeiros, humanos, materiais e organizacionais, a fim de consolidar o empreendimento.

É fato que o empreendedor tem de contar com recursos financeiros suficientes para viabilizar o novo negócio. Esse objetivo só será atingido, se o empreendedor, em primeiro lugar, poupar, ou seja, acumular capital suficiente para realizar os investimentos previstos no plano de negócio.

Contudo, as empresas, em vez de investirem o dinheiro de forma adequada, ficam expostas à falta de controle dos gastos, o que leva a prejuízo e, consequentemente, ao fechamento das portas. Veja os erros mais comuns na hora do empresário investir seu dinheiro:

• Projeções financeiras muito acima da realidade – diversos empresários possuem uma visão muito positiva, o que é bom, na maioria das vezes, mas, em relação às projeções de ganhos, essas devem ser realistas e consistentes;

• Custos com projeções mais baixo que o real – como acima, existe a visão positiva de que conseguirá reduzir todos os custos; com certeza, isso é muito importante, mas, para atingir as metas, deve ser bastante realista e negociar muito;

• Falta de planilhas financeiras importantes – são essas que demonstram as fontes de capital próprio e de terceiros, o orçamento do fluxo de caixa e uma estimativa da necessidade de capital de giro;

• Baixo conhecimento do mercado em que aturará – não conhecendo o mercado em que irá atuar e valores relacionados a esses (salários, matérias-primas, preços de vendas) faz com que se tenha o descontrole dos gastos e, pior, falhas na precificação dos produtos;

• Falta de reservas estratégias – essas são fundamentais para eventuais problemas, como crises financeiras ou mesmo a decadência dos negócios, pois, caso contrário, o que tem guardado irá ser gasto rapidamente, e será necessário mudar drasticamente as projeções dos negócios;

• Não ajustar investimentos às ações e metas – o dinheiro deverá ser direcionado de acordo com sua finalidade, assim, se o dinheiro é para capital de giro, este valor deverá ser aplicado em tipos de investimento com disponibilidade imediata, como fundo DI. Já, para aqueles objetivos e projetos de médio prazo, o dinheiro deve ser aplicado em investimentos com prazos maiores, que pagam melhores taxas, uma vez que o mercado oferece boas taxas, por conta das instituições financeiras buscarem fidelidades. Para longo prazo, a dica é a mesma;

• Empréstimos para investimentos – sendo que a tendência é que os juros subam, deve se evitar empréstimos desnecessários, fazendo com que essa ação se torne uma “bola-de-neve” nos próximos meses, o que levará a empresa a rumos perigosos, podendo ocasionar até mesmo a falência.

• Além desses pontos apresentados, existem outros a serem levados em conta, dentre os quais destaco o fato de não misturar as finanças pessoais dos empresários com as da empresa, erro muito comum e que trás resultados desastrosos. Para quem acredita que as dificuldades para ajustar essas necessidades são muitas, uma recomendação é buscar um curso qualificado de finanças para não financeiros.

Reinaldo Domingos – educador financeiro, presidente do Grupo DSOP e autor do best seller Terapia Financeira e do livro Papo Empreendedor (ambos pela Editora DSOP) .

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