Ameaça da inflação reforça necessidade de educação financeira

Muito famoso no passado, o temido dragão da inflação já vem, há algum tempo, causando grande preocupação na população e isso, principalmente porque os índices que são divulgados pelo Governo Federal não condizem, na maioria das vezes, com os que são sentidos no bolso dos consumidores.
Como os salários são ajustados pelos índices oficiais, o que percebemos é que o poder de compra da população vem caindo consideravelmente. Assim, não há como não falar que estamos em um período de alta de preços, mas é importante reforçar que os índices inflacionários ainda não dispararam, muito pelo contrário, isso dificilmente acontecerá, principalmente pelo impacto político que este número tem. Mas as noticias mostram que este índice não está adormecido, por isso, todo cuidado é pouco.
Então, algumas ações devem ser tomadas para que essa alta de preços não impacte diretamente nas contas diária. E pergunta que fica é: como fazer com que a alta dos preços não ocasione prejuízos e desespero? Primeiramente, mantenha a calma. Muitas pessoas lembram o período quando a inflação era monstruosa e, por isso, já estão em alerta, mas não adianta desespero, pois isto só agraverá a situação; outro erro é a corrida às compras armazenando produtos, que ocasionará um cenário no qual a inflação será ainda maior.
O caminho para enfrentar a inflação é a educação financeira, fazendo com que se considere o fator inflacionário na hora de planejar as finanças. É certo que uma inflação na faixa dos 4% ou 5% vai comprometer o poder de compra e o desempenho dos investimentos, se não ocorrerem cuidados. É preciso proteger seu dinheiro e, para isso, o principal caminho é definir os sonhos de curto, médio e longo prazos que deseja realizar e investir o dinheiro de acordo com eles, pois o rendimento anulará a inflação.
O índice inflacionário não poupa ninguém, comprometendo até mesmo os ganhos das aplicações financeiras. Por isso, é interessante intender como funciona os índices inflacionários. O IPCA é o indicador que temos contato geralmente, ele é utilizado na política de metas inflacionárias do governo. Mas, quando o assunto é finanças pessoais, outro índice importante acompanhar é o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado).
O IGP-M é o que afeta mais diretamente o bolso do consumidor. Isso porque é ele que se utiliza, por exemplo, para contratos de aluguel, reajustes de tarifas públicas e planos ou seguros de saúde.
Relação da inflação com o consumo
Assim, para sobreviver aos períodos de alta inflacionária recomendo que se evite ações como partir logo para parcelamento de compras com prestações fixas. Por mais que a opção seja tentadora, é importante que se saiba que poderá arcar com esses compromissos nos próximos meses. Além disso, pode ter certeza que, nos valores das prestações, incidirão juros, por mais que seja dito que a taxa é zero. Nenhuma instituição emprestará dinheiro para você se não tiver nada em troca.
Sobre armazenar produtos, o risco é ainda maior. As pessoas passam a armazenar, muitas vezes desordenadamente, o que faz com que compre coisas que não são realmente necessárias, em quantidades excessivas e que perdem as validades rapidamente. Isso faz com que o desperdício seja muito grande e os prejuízos financeiros maiores ainda. Assim, para armazenar é preciso controle, sabendo o que já tem e o que realmente utiliza.
Mas o mais importante neste período é evitar deixar o dinheiro parado, sem aplicações, pois dinheiro sem direcionamento é rapidamente desvalorizado. Pesquise e veja quais são as linha de aplicação financeira que mais respondem aos seus interesses, sempre lembrando de dividir os sonhos em curto, médio e longo prazos.
Por fim, por mais que as notícias sobre a inflação sejam assustadoras, não se deve entrar em desespero. É muito difícil que retomemos as taxas inflacionárias que tínhamos 20 anos atrás, assim, mais do que nunca, é hora de pensar na educação financeira, pois esta, com certeza, fará com que os impactos sejam muito menores no seu dia a dia.
Reinaldo Domingos, educador financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira e Editora DSOP e da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), autor dos livros Terapia Financeira, Eu mereço ter dinheiro!, Livre-se das Dívidas, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, das coleções infantis O Menino do Dinheiro e O Menino e o Dinheiro, além da coleção didática de educação financeira para o Ensino Básico, adotada em diversas escolas do país, Apostila de educação financeira para o ensino EJA e Jovem Aprendiz.

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